O céu está tão bonito esta noite – pensou o menino. E a lua parece tão próxima que quase consigo tocá-la com as mãos.
Deitado na grama, sozinho, olhava as estrelas e tentava colocar seus pensamentos no lugar. O cheiro de terra molhada, a suave brisa, a noite, de certa forma, o ajudava a pensar. Por que sentir? Por que se importar? Perguntava a si como se, daquela maneira, fosse conseguir as respostas. Não conseguiu.
Primeiro, o vazio. Depois, o choro. Não conseguia segurar as lágrimas que teimavam em descer. Supria sua carência com cigarros. Supria sua tristeza com álcool. E sentia falta de quando seu coração parecia trancado em uma gaveta às sete chaves, de quando não sentia, não amava, não se importava. Não se reconhecia mais.
Levantou-se lentamente, secou suas lágrimas. Ainda olhava as estrelas. Esfriou sua cabeça e coração. Não valia a pena. Aos poucos voltava a ser como antes. Coração de gelo. Era mais seguro. Doía menos. O coração de pedra já fora de vidro. Tornava-se frígido, forte.
Por trás de toda frigidez há um coração partido.
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