Tuesday, September 27, 2011

Muito mais do que só palavras

A principio, estava em um quarto. Não sabia, exatamente, como fora parar ali. Estava meio perdido, mas, imediatamente, apareceram várias pessoas para ajudá-lo. Elas, sempre sorrindo, pareciam, também, sempre felizes, mostravam-se receptíveis, amáveis. O ambiente era amigável, o local amplo, móveis e cortinas em tom claro. Sentia-se bem em estar ali. Tudo era perfeito. Não conseguia achar defeitos nem os procurava. Não queria estragar o momento. As luzes o cegavam.
O tempo foi passando. As luzes foram ficando mais fracas mas, ainda sim, cumpriam seu papel: iluminar. Embora o dissessem inúmeras vezes que o próprio menino, por si só, já iluminava o ambiente. Mesmo que sempre tenha achado difícil de acreditar, pensar em si mesmo como alguém iluminado, diferente, com o futuro promissor, o dava certa importância. O fazia sentir-se esperançoso. Tinha tanta coisa pela frente. Tanta coisa para conquistar. Tantas ambições de vida, objetivos e metas para alcançar, experiências para viver!
O ambiente estava mais escuro. As luzes cada vez mais fracas. Passou, então, a ver algumas imperfeições. Começava a perder a fé em si mesmo. “Eu sou iluminado”, repetia em sua mente. Mas perguntava aos outros para que o confirmassem. E, de tanto querer acreditar, acabava por acreditar. As pessoas já não eram mais tão atenciosas como antes. O quarto já não parecia mais tão amigável. Na verdade, começava a tornar-se um pouco assustador. Não entendia direito o que estava acontecendo.
Tudo parecia ocorrer relativamente bem até que a escuridão total tomou conta do lugar. Primeiramente, imaginou ser passageiro. Então, esperou no escuro. Com o tempo, viu que poderia não passar. Começou sentindo uma angústia dentro de si que logo tomou forma de um choro, tímido e silencioso. E, depois, transformou-se em um vazio. Um enorme e profundo vazio, tão incomensurável que quase sentia medo. Queria sentir algo. Nem que fosse tristeza, medo, ou desespero. Mas não sentia nada. Permaneceu, então, dessa forma.
O que houve? Onde estão as luzes? Onde estão as pessoas? Já não reconhecia mais o espaço que, antes, era seu porto-seguro. Não reconhecia mais as pessoas em sua volta que, antes, o estendiam a mão e diziam que tudo ficaria bem. Não se reconhecia mais. Andava pelo quarto. Tateava os móveis e as paredes em busca do antigo. Mas tropeçava na mobília a qual, antes, parecia enfeitar, agora, era um obstáculo. E, a cada vez que tropeçava, era uma queda. E, a cada queda, erguer-se parecia cada vez mais difícil. Chamava os nomes. Não havia resposta. Flashes de luz, vez ou outra, o davam uma pontada de esperança que, com a mesma rapidez que aparecia, desvanecia. Até onde ia a realidade e começava sua imaginação?
Observou, então, um feixe de luz que passava por baixo da porta. Queria segui-lo, mas, estava hesitante. O que teria do outro lado? Mil coisas passaram por sua cabeça em um átimo segundo. Talvez nada. Talvez tudo. O mundo. O que será que fizeram todas as outras pessoas que passaram por aquele quarto? “Devem ter esperado aqui, movidos por algum tipo de esperança e expectativa boba. Pura utopia.”, imaginou. Não sabia o que fazer. Sentia-se tão perdido quanto quando chegara. Não via outra escolha senão a de largar tudo aquilo com o qual se acostumou. Era o fim. Não esperava por nada além disso.
Dirigiu-se, então, até a porta. Sua mão tocou a maçaneta. Estava fria. Seu corpo bambeou. Quase desistiu de tudo, mas, estava determinado a seguir à diante. Foi abrindo-a, lentamente, até que surgiu um pequeno vão entre o quarto em que estava e o infinito. Entregou-se a situação. Por fim, atirou-se para fora.

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