Thursday, June 27, 2013

Eu odeio você

Eu odeio você. Odeio sua cara amassada pela manhã e seu cabelo bagunçado quando acorda. Odeio também seu mal humor me gritando para acordar me dizendo que é por isso que estou sempre atrasado. E a forma como você fala, sempre achando que está certo e que é o rei do mundo. Detesto quando você finge entender algo que não entende por ser orgulhoso demais para dar o braço a torcer. Não suporto o seu jeito cínico quando demonstro algum tipo de ciúmes ou, simplesmente, reclamo de algo sem algum motivo aparente e como você faz eu me sentir bobo por isso. Eu odeio seu ciúme, que me faz parecer errado, como se apenas você pudesse tê-lo e o meu fosse coisa da minha cabeça, apesar de sabermos que não é. Ou como você faz as coisas parecerem fáceis demais quando, na verdade, não são, ou vice e versa. Odeio quando você se finge de burro quando nós dois sabemos que não é. E o fato de, na realidade, você ser muito mais esperto que eu, e isso me irritar. Odeio a forma como você me trata, fazendo eu me sentir especial e fazendo eu me apaixonar por você, novamente, a cada dia. Odeio o seu cheiro de perfume doce e mais ainda o fato de eu ter começado a ama-lo simplesmente por ser seu cheiro. Mas, o que eu mais odeio é fato de nos conhecermos tão bem a ponto de você saber que apesar de eu conhecer todos os seus defeitos conseguir amar cada um deles.

Clareza

Acordava todas as manhãs com os raios de sol em seu rosto. Fazia de proposito: antes de dormir deixava a cortina aberta para que, pelo amanhecer, fosse acordado de uma forma que talvez o fizesse querer levantar. Falhava da mesma forma a cada dia. A claridade o irritava e tudo que queria era permanecer eternamente na cama. Rolava por mais alguns minutos ou horas, semi-dormindo. Tentando adormecer para que, assim, o dia pudesse passar mais rápido. Abria os olhos em intervalos de minutos para olhar a hora. Saber se o dia havia se passado. Não. De hora em hora sua mãe entrava no quarto dizendo que estava em tempo de acordar e que perderia a melhor parte do dia. Ainda assim, não o motivava. Farto, por fim, de ficar na cama e ser incomodado a todo momento, decidia levantar. Olhava, apático, o celular com algumas chamadas não atendidas do seu namorado. Retornava, ainda sonolento: -"Oi, amor" -"Você estava dormindo até agora?!?" -"Sim" -"Porra, Lucas, você dorme demais! Todo dia isso.". Dava alguns esclarecimentos e se arrumava para encontrar com ele, que já esperava o menino, pronto. Apressando-se, passava uma água no rosto, mudava a roupa e tentava colocar alguma coisa dentro do estômago. Mesmo desanimado, forçava-se a sair de casa e encontra-lo sabendo que isso o faria bem. O faria esquecer coisas as quais não queria pensar.
Enquanto estava com o namorado conseguia manter, um pouco, a cabeça no lugar, relaxar e até esboçar uns sorrisos meia boca. -"Você está bem, amor?" -"Estou, só um pouco cansado e desanimado." -"Eu te amo, tá? Vou te fazer feliz.". E a cada frase nesse sentido, sentia-se pior. Vou te fazer feliz". Queria acreditar nessas palavras. Queria que fosse verdade com tanta força que chegava a doer. Desejar tanto uma coisa, supostamente, tão simples. Ser feliz? A tristeza lhe era como uma farpa encrustada na sua pele a qual mesmo que incomodasse, não conseguia se livrar.