Thursday, December 6, 2012

Futuro Esfumaçado

Seu mundo girava novamente. Não daquela forma boa quando se está apaixonado, mas, quando tudo passa rápido demais que já nem se vê o que passou. Escorre pelos dedos e se esparrama pelo chão. Inúmeras tentativas de reconstruí-la em vão. Já não sabia mais como era antes. Parou para tentar visualizar de outras perspectivas, ou tentar faze-lo, como sua mãe sempre o disse que era bom antes de tomar atitudes importantes: não viu nada diferente.Os mesmos amontoados de inutilidades e insignificâncias. Uma vez o disseram que era especial por conseguir enxergar o que os outros não viam. Duvidava, se fosse mesmo verdade, a vida realmente não passava uma grande peça de teatro mal-feita e com um péssimo roteiro.
Acendeu mais um cigarro, cronometrando o primeiro passo para a suposta eternidade. “Cerca de 6 minutos”, pensou. E seu êxtase era tão intenso que quase conseguia ouvir o tic tac do relógio embora não houvesse nenhum por perto. Entre uma tragada e outra lia as letras miúdas em fundo branco. -“Eles sempre colocam informações demais.” Alguns tecs e sentia, cada vez mais, sua mão se encher de liberdade. Quase sentia na alma. Por um momento, a quase felicidade, mas passou imperceptível. Via-se prazer no ato, como se de alguma forma estivesse realizando um sonho adormecido.
A ultima tragada marcava o fim da espera. Esvaziou as mãos e caminhou para a libertação, sem medo do desconhecido.

História Real

Um dia lhe disseram algo sobre encontrar um alguém bem resolvido. Fingiu entender embora nunca entendera ao certo o que aquilo significava.
Beirava os 30 e nunca soubera o que fazer de sua vida. Nunca terminara uma faculdade e o emprego só lhe servia para pagar as contas do mês. Não tinha carro ou casa própria e a relação familiar nunca fora lá essas coisas. E seu gato lhe parecia a coisa mais sincera com a qual já convivera. Quase que diariamente travava um embate estilístico: meia arrastão e sapato alto ou vestido básico e rasteirinha. Nem ao menos seu cabelo parecia resolver-se entre ondulado e liso, embora a própria tenha escolhido resolve-lo com um alisamento que quase lhe custara um rim.
Ela era uma porção de dúvidas e inseguranças, até pensava em comprar mais gatos para não morrer sozinha e para que sua morte parecesse mais dramática aos olhos alheios: “ouvi dizer que a antiga dona daquela casa morreu sozinha e com 50 gatos!”. Pensava ser, de fato, a pessoa mais mal resolvida que conhecera. Até que se apaixonou.
Não que tivesse sido promovida no emprego, comprado uma casa ou que os entraves estilísticos tivessem acabado, mas, tinha uma certeza na vida. E pela primeira vez, sabia o que queria: ele. Não sabia como agir ou o que falar direito, mas, as nunca são fáceis. Aos poucos tudo se transformava do talvez para o sim. E sua vida começava a se ajeitar e a ter algum sentido.
Até que ele partiu.

Mais um texto sem final

É tão trágico como em um segundo seus sonhos e fortalezas desmoronam. Como tudo muda tão rapidamento que você nem se dá conta.
Tudo está tão igual mas tão diferente: ainda tenho minha casa que já não é mais lar, meu cachorro, minha familia e meus amigos. Agora, porém, também tenho um vazio. Como um buraco negro dentro de mim que se alimenta das minhas emoções e sentidos.
Essa semana tem sido dificil, assim como em outras que já tive mas, a cada dia que passa, se torna mais dificil de suportar. Minha consciência diz que tudo aconteceu como deveria, minha mãe me disse que a vida continua, e eu sei que sim. Em dias como esse, ou semanas, tento pensar nos dias bons que passei para me sentir melhor, como li em um livro que era bom fazer, não funciona muito bem, mas, lá também disse que vale a pena tentar, e eu concordo. Meu coração é uma puta.
Tudo é tão frágil que se transforma em medo, daquele tipo que te consome a cada dia, Tenho que tentar superar sem me tornar uma pessoa detestável.

Sunday, March 4, 2012

Apenas um passo

Deitado sobre o terraço do seu prédio. Olhava o céu coberto de estrelas e pensava consigo. Como se elas pudessem ouvi-lo. Como se, caso o ouvissem, dar-lhe-ia respostas que nem mesmo o menino conseguia concluir por si só. A verdade é que estava confuso como fora por toda sua vida. Nunca soubera lidar de imediato com acontecia interiormente com ele. Tampouco com o que acontecia ao seu redor. O que lhe rendia horas perdidas divagando a respeito de questões que, talvez, nem ao mesmo possuíssem respostas.
Estendeu, suavemente, sua mão em direção a um alguém imaginário. Almejava uma mão que segurasse a dele, de forma firme, e não soltasse mais. Alguém que o fizesse sentir-se seguro como já não se sentia há tempos. Não encontrou ninguém. Apenas um vazio absoluto e o vento frio que por entre seus dedos e o fazia sentir esse mesmo vazio dentro de si.
Poderia praguejar aos ventos. Culpar a todos e a si mesmo. Sentir uma raiva ou uma tristeza súbita. Não sentia nada. Permanecia, simplesmente, lá, parado e intacto, numa constante inércia. Queria sentir raiva, ou tristeza, ou redenção, ou compreensão. Mas a única coisa que lhe vinha era um vazio que não passava.
Julgou injusto tudo aquilo que acontecia. Por que com ele? Por que justo naquele momento? Mas já não sabia o que pensar. Perdera as perspectivas. Era apenas um menino bobo que não sabia nada da vida. E não deixaria de ser tão cedo. Não era ninguém para julgar e tinha pouco conhecimento sobre justiça.
Fechou, lentamente, os olhos. Lembrou de um conselho que outrora uma amiga lhe dera. Imaginar-se em um lugar bonito e seguro. Um lugar em que nada o preocupasse, onde não houvesse nada além de si próprio. De repente, uma tranqüilidade começou a tomar conta de seu coração e espírito. Acalmou-se.
Nesse mundo imaginário, andava próximo a córrego que parecia ter vida pela abundancia de peixes que passavam por ali. Estava rodeado por uma densa floresta de pinheiros. E pássaros, a todo o momento, cantavam sobre as árvores ou embelezavam o infinito céu azul. Nada parecia importar naquele momento. Tudo era perfeito e sentia-se intocável. Como se colocado em um pedestal.
Sentia uma paz quase inabalável paz interior. Até que essa mesma paz foi, por fim, abalada. Olhou ao seu redor e tudo estava quieto demais. Sentiu-se só. Em desespero, procurou por um alguém, qualquer um com que pudesse entendê-lo e ouvi-lo. Alguém com quem pudesse compartilhar sua paz, suas felicidades, alegrias. Não achou ninguém.
Então, abriu os olhos. O contraste entre estes dois mundos o fez sentir uma pontada no coração. Não adiantava idealizar um mundo que não era real. A realidade lhe era cruel e talvez até injusta. Sentia-se como caindo em um buraco que não tinha fim. Era isso o que sentia, em uma constante e eterna queda.
O vazio cresceu ainda mais dentro do menino que já não conseguia mais pensar em nada a não ser acabar com ele. Pôs-se de pé. Estava farto de fingir ser forte. Nunca fora e, talvez, jamais seria. Então veio a dor. E veio tão forte que sentiu fisicamente. O que o fez contrair-se e ficar de joelhos.
Estava próximo ao parapeito. Reergueu-se e repôs-se. Apoiou os cotovelos na beirada e pôs-se a observar as pessoas que, daquela altura, pareciam formigas. Pareciam tão pequenas e insignificantes. Direcionou o olhar aos restantes prédios. E, então, olhou para si. Sentiu-se, também, pequeno e insignificante. Era só um menino comum. Um como outros milhões. Nada o fazia diferente, nem mesmo a dor.
Subiu na mureta e, de pé, olhou para baixo. Era como olhar de um precipício. Mal se dava para ver o final. Mas o menino viu muito além. Viu uma forma de libertação. E, pela primeira vez em semanas, chorou um choro silencioso. As lagrimas escorriam por seu rosto e o deixavam úmido. Levou as mãos cobertas pela manga de seu casaco ao rosto e aos olhos.
Um passo o separava da suposta libertação. Lentamente, foi inclinando seu corpo em direção ao nada. Até que seu pé já não encostava mais nos tijolos. Sentiu-se como voando por alguns milésimos de segundos o que o fez esboçar um sorriso. Então, por fim, o escuro.

Monday, February 27, 2012

Metafórica poesia

Uma poesia subjetiva.
Versos soltos,
sem nexo.
Palavras jogadas,
sem sentido algum.
Solitárias palavras
inertes.

Não sou poeta.
Oh, poesia dos vivos,
não sei te ler.
Não te compreendo.
Deveria haver sentido?
Oh, almejado sentido,
eu não te acho.

Algumas palavras se encaixam
mas esses não são seus lugares.
Eu te pergunto, ilusão,
por que te fizeste tão presente?
Então tudo aquilo
não passava de uma mentira?

Está tudo nas entrelinhas
que eu não sei decifrar.

Thursday, February 9, 2012

O novo mundo

Andava pela calçada com os passos apressados. Passo a passo desenhando a trajetória de seu próprio destino. Que, de um jeito ou de outro, só importava a ele mesmo. Apenas o próprio menino se responsabilizaria por tudo o que fizesse ou deixasse de fazer. Como sempre foi.
As lagrimas escorriam transpareciam o coração estraçalhado. Uma imensidão de pensamentos rodeava sua mente enquanto, da sua boca, não saia uma palavra. Sentia vontade de gritar, esbravejar, culpar a todos. Mas, do que adiantaria? Era sentimental por nascença e temia ter que carregar isso até o resto da vida.
Nunca fora introspectivo. A vida lhe tornara assim. Aprendeu a guardar consigo absolutamente tudo o que lhe assombrava. Em algum momento da sua vida decidiu que os outros não o entediam. Que não lhe restava ninguém além de si mesmo que pudesse confiar. Pensamento que o levou a completa solidão. A pior de todas. A que, mesmo rodeado de pessoas, sentia-se só.
-1,90, senhor. – Era o preço da passagem ao seu pequeno paraíso idealizado.
Uma pequena escadaria o distanciava daquilo que nunca estivera tão decidido em realizar. Acostumara-se com a imparcialidade. Nunca dera sua opinião incisivamente. Por algum motivo, tinha medo. Medo do que? O que era tão tenebroso? Não obtinha respostas.
Ao seu ritmo acelerado, um a um, descia os degraus. Até que, de repente, viu um senhor. O semblante era triste e podia jurar que estava chorando. Os passos eram lentos mas decididos. Aparentava lá seus 50 anos apesar da cabeça, quase toda, coberta por fios brancos. De certa forma, se viu naquele homem. Tentou imaginar sua história e o que viveu até aquele momento. Teria filhos, talvez netos? Seria casado ou divorciado? O que o levou àquela situação de suposta nostalgia? Tentava adivinhar.
Dedicou seu tempo a observá-lo. Seu andar era austero e ao mesmo tempo confuso. Parecia um pouco perdido. Segurou a vontade de perguntá-lo se queria ajuda em algo. Seus olhos eram calmos e vagos. Não se fixavam em um ponto específico. Sua postura aparentava cansaço. Imaginou ser algo normal, mas, continuou na tarefa de tentar decifrá-lo. Estava tão focado nesse objetivo que acabou por esquecer aquele que o levara até ali.
Os faróis fortes indicavam que o trem estava por chegar. A luz cegante o confundiu e o distraiu. Ouviu um barulho alto e alguns gritos agudos vindo da direção em que o senhor estava. Imediatamente redirecionou seus olhos na direção em que estavam anteriormente. O homem não estava mais lá e, em seu lugar, havia se juntado um pequeno aglomerado de pessoas. E, todas aparentavam uma cara de sofrimento.
Passou alguns minutos a entender a situação. E mais alguns outros a observar o ocorrido. Os olhar do menino mudara. Certo, por fim, que já era o bastante. Deu meia volta e subiu as escadas. Direcionou-se a saída do local. Mais um lance de escada e estaria na superfície. E, a cada degrau que subia, menos restava para alcançar o novo mundo que o esperava de braços abertos.

Quinta carta


Meu amor,
São nessas dias chuvosos. Nessas noites frias e solitárias que você realmente sente falta das pessoas. Ou daquela pessoa. Que, no meu caso, é você. Não que eu não sinta sua falta nos outros dias, nos cheios, animados. Aqueles com muitas pessoas, muitos risos. Mas é que quando você está só, quando para um pouco para pensar e realmente prestar atenção no mundo que você sente o quanto aquele alguém significa para você.
Sei que faz pouco tempo que lhe escrevi. E não, eu não desisti da minha obrigação de viver. Que, de certa forma, já se tornou mesmo uma obrigação. É só que sinto sua falta. Eu sei que não deveria lhe escrever. Ou deveria, também já não sei. Aliás, não sei de muita coisa. Nunca me dei bem com essas coisas. A verdade é que eu sou uma pessoa confusa. Nunca soube direito o que pensar e como agir em determinadas situações. E sempre acabo fazendo tudo errado. É triste, mas é o que acontece.
Há poucos estava na rua. Gostávamos de andar sós, em silêncio e sem rumo. Sempre pareceu coisa de louco. As pessoas nunca nos entendiam. Mas é que gosto sentir a liberdade. Sentir o ambiente, as pessoas. Prestar atenção no que normalmente os outros não prestam. E, por mais surpreendente que possa ser, há muita beleza nisso. Só que tudo já é tão banalizado. Quem vai parar para notar quão mais bela está a praia? Ou como o sol se põe de maneira diferente todas as tardes. Ou até mesmo quão incrível e assustadora é a imensidão dos edifícios. Apenas eu. E você, que me ensinou a ver que as pequenas alegrias são melhores. E os detalhes fazem a diferença.
Ainda não me curei dessa falta que sinto de você.
Talvez um dia enlouqueça por causa disso.

27/01/2012

Quarta Carta

Meu amor,
Passei muito tempo sem lhe escrever. É que, para variar, estava vivendo! Ainda não entendi ao certo o que isso significa. Mas, quando perguntei o que era isso que sentia, foi o que me disseram. Não, não achei outro amor o qual me fez apaixonar-me perdidamente como você fez. Também ganhei alguma promoção no emprego. Apenas fiz o que me pediram, tentei me desligar do mundo (e funcionou!) e deixar as coisas acontecerem de forma natural. Acho que vou experimentar fazer isso mais vezes.
Nesse tempo em que estava, misteriosamente, vivendo também senti sua falta. Vez ou outra sentia vontade de lhe escrever mas me controlei. Não me parecia que escrever a alguém que nunca irá ao menos ler seja “deixar as coisas fluírem naturalmente”. Ainda estou me empenhando nessa tarefa de me desligar do mundo, mas, não consegui me controlar dessa vez. Não sei se é possível me desligar de você.
Também queria lhe contar que fui ao zoológico. Quase consigo ver sua cara de desaprovação caso ouvisse essa noticia. Assim como você, também não sou a favor desses lugares. Embora, infelizmente, pagar minha entrada contribua com todo esse sistema injusto com os animais. Fui para fotografar e ver as condições do lugar. Até que o lugar não era tão ruim quanto pensava que seria. Você não tem idéia do quanto senti falta da sua presença e, por incrível que pareça, da sua cara fechada caso me acompanhasse.
Droga, tenho que me desprender desses verbos no presente.
Você ficaria tão feliz ao ver que eu estou conseguindo viver.

22/01/2012

Terceira carta


Meu amor,
Será que algum dia você terá a chance de ler o que escrevo?
Hoje é dia primeiro de janeiro. Isso significa que o ano acabou de começar e as pessoas começarão a desejar coisas novas e a renovar suas vidas, como manda o roteiro. Eu desejaria poder tê-la, aqui, comigo, mas sei que você está mais feliz com ele. Então, não irei perturbá-la com meus pedidos utópicos. Ainda assim, não pude deixar de pensar em você durante a virada. Passei em minha própria companhia, no meu apartamento, do qual, pela janela, dava pra ver um pedacinho da praia de Copacabana. Lembrei que costumávamos caminhar pela areia, ali mesmo, onde milhares de pessoas festejavam e divertiam-se ao som de um DJ estrangeiro. Passei alguns instantes observando a multidão alegre.
Nesta data, todos já começaram a planejar seu ano, que será completamente diferente do anterior. Novas metas, novos objetivos a alcançar, novos amores. Novo pensamento esperançoso que os farão acreditar que tudo o que planejaram irá, de fato, acontecer mas que, no final, não irá. A minha diferença é que já aceitei esse destino.
Costumávamos fazer planos para o futuro. Talvez não aqueles clichês de casamento, filhos e casa própria. Nós queríamos, apenas, ser livres. Podermos amar sem limites e que pudesse ser recíproco. Nunca entendi essa falta de amor nas pessoas. Nunca entendi muita coisa que se passa na cabeça dos outros. Acho que essa é recíproca.
Algumas questões talvez nunca tenham respostas.
Vou vivendo aos poucos tentando desvendá-las, assim como você mesma me ensinou.

01/01/2012

Monday, January 2, 2012

Pequenas felicidades

Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece” – Clarice Lispector
A principio, tivera certa dificuldade em transcrever de forma ordenada e sincera o que pensava e sentia em relação ao menino. Assim como quando o conhecera. E mesmo que o tivera visto uma ou duas vezes nunca havia tido uma opinião a formada a seu respeito. Aos poucos as palavras foram fluindo com certa naturalidade. O que lhe representava-o?
De primeira impressão, não esperava muita coisa. Não que o menino parecesse pouco ao ver, mas, de certa forma, desaprendera a criar expectativas. De certa forma, perdera a esperança nas pessoas. Há tempos, desaprendera a viver também e, aos poucos, sem passos longos, ia reaprendendo a andar em direção a esse terreno inóspito que era sentir. As pequenas felicidades e os pequenos anos lhe tinham muita importância, sempre tiveram.
Então era isso! O menino lhe era como uma pequena alegria que já se tornara cotidiana. Nunca fora muito bom em desvincular-se de alguns hábitos. Não é preciso conhecer a fundo alguém para considerá-lo essencial. Fato que, na verdade, dá uma maior chance de possíveis futuras decepções. Mas quem disse que temia? Talvez por inocência não sentisse medo.
Não sabia ao certo o que o outro pensava, mas, àquela altura, também já não ligava mais. O que importava é que o próprio pensava (e sentia!). Sentia um desconhecido que não lhe era assustador. Era-lhe surpreendentemente envolvente. Um sentimento que, quanto mais o tempo passava, maior parecia ser. O carinho, o zelo e mais um misto de outros sentimentos. E, como algo inovador, prezava sentir. Perdera esse apresso meses (talvez anos) atrás, mas, de forma gradual, resgatava-o.
Sempre tinha muito a dizer embora falasse pouco. Por fim, cansado de divagar, ia terminando o pequeno texto. E que por maior que fosse o esforço, não conseguiria transpor nele tudo o que queria, de fato, dizer. Embora pensasse que, de certa forma, captou a essência das suas palavras.
“Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.” – Clarice Lispector