Um dia lhe disseram algo sobre encontrar um alguém bem resolvido. Fingiu entender embora nunca entendera ao certo o que aquilo significava.
Beirava os 30 e nunca soubera o que fazer de sua vida. Nunca terminara uma faculdade e o emprego só lhe servia para pagar as contas do mês. Não tinha carro ou casa própria e a relação familiar nunca fora lá essas coisas. E seu gato lhe parecia a coisa mais sincera com a qual já convivera. Quase que diariamente travava um embate estilístico: meia arrastão e sapato alto ou vestido básico e rasteirinha. Nem ao menos seu cabelo parecia resolver-se entre ondulado e liso, embora a própria tenha escolhido resolve-lo com um alisamento que quase lhe custara um rim.
Ela era uma porção de dúvidas e inseguranças, até pensava em comprar mais gatos para não morrer sozinha e para que sua morte parecesse mais dramática aos olhos alheios: “ouvi dizer que a antiga dona daquela casa morreu sozinha e com 50 gatos!”. Pensava ser, de fato, a pessoa mais mal resolvida que conhecera. Até que se apaixonou.
Não que tivesse sido promovida no emprego, comprado uma casa ou que os entraves estilísticos tivessem acabado, mas, tinha uma certeza na vida. E pela primeira vez, sabia o que queria: ele. Não sabia como agir ou o que falar direito, mas, as nunca são fáceis. Aos poucos tudo se transformava do talvez para o sim. E sua vida começava a se ajeitar e a ter algum sentido.
Até que ele partiu.
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