Thursday, December 6, 2012

Futuro Esfumaçado

Seu mundo girava novamente. Não daquela forma boa quando se está apaixonado, mas, quando tudo passa rápido demais que já nem se vê o que passou. Escorre pelos dedos e se esparrama pelo chão. Inúmeras tentativas de reconstruí-la em vão. Já não sabia mais como era antes. Parou para tentar visualizar de outras perspectivas, ou tentar faze-lo, como sua mãe sempre o disse que era bom antes de tomar atitudes importantes: não viu nada diferente.Os mesmos amontoados de inutilidades e insignificâncias. Uma vez o disseram que era especial por conseguir enxergar o que os outros não viam. Duvidava, se fosse mesmo verdade, a vida realmente não passava uma grande peça de teatro mal-feita e com um péssimo roteiro.
Acendeu mais um cigarro, cronometrando o primeiro passo para a suposta eternidade. “Cerca de 6 minutos”, pensou. E seu êxtase era tão intenso que quase conseguia ouvir o tic tac do relógio embora não houvesse nenhum por perto. Entre uma tragada e outra lia as letras miúdas em fundo branco. -“Eles sempre colocam informações demais.” Alguns tecs e sentia, cada vez mais, sua mão se encher de liberdade. Quase sentia na alma. Por um momento, a quase felicidade, mas passou imperceptível. Via-se prazer no ato, como se de alguma forma estivesse realizando um sonho adormecido.
A ultima tragada marcava o fim da espera. Esvaziou as mãos e caminhou para a libertação, sem medo do desconhecido.

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