Uma poesia subjetiva.
Versos soltos,
sem nexo.
Palavras jogadas,
sem sentido algum.
Solitárias palavras
inertes.
Não sou poeta.
Oh, poesia dos vivos,
não sei te ler.
Não te compreendo.
Deveria haver sentido?
Oh, almejado sentido,
eu não te acho.
Algumas palavras se encaixam
mas esses não são seus lugares.
Eu te pergunto, ilusão,
por que te fizeste tão presente?
Então tudo aquilo
não passava de uma mentira?
Está tudo nas entrelinhas
que eu não sei decifrar.
"Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece." "Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre." “Apesar do meu ar duro, sou cheio de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza.”
Monday, February 27, 2012
Thursday, February 9, 2012
O novo mundo
Andava pela calçada com os passos apressados. Passo a passo desenhando a trajetória de seu próprio destino. Que, de um jeito ou de outro, só importava a ele mesmo. Apenas o próprio menino se responsabilizaria por tudo o que fizesse ou deixasse de fazer. Como sempre foi.
As lagrimas escorriam transpareciam o coração estraçalhado. Uma imensidão de pensamentos rodeava sua mente enquanto, da sua boca, não saia uma palavra. Sentia vontade de gritar, esbravejar, culpar a todos. Mas, do que adiantaria? Era sentimental por nascença e temia ter que carregar isso até o resto da vida.
Nunca fora introspectivo. A vida lhe tornara assim. Aprendeu a guardar consigo absolutamente tudo o que lhe assombrava. Em algum momento da sua vida decidiu que os outros não o entediam. Que não lhe restava ninguém além de si mesmo que pudesse confiar. Pensamento que o levou a completa solidão. A pior de todas. A que, mesmo rodeado de pessoas, sentia-se só.
-1,90, senhor. – Era o preço da passagem ao seu pequeno paraíso idealizado.
Uma pequena escadaria o distanciava daquilo que nunca estivera tão decidido em realizar. Acostumara-se com a imparcialidade. Nunca dera sua opinião incisivamente. Por algum motivo, tinha medo. Medo do que? O que era tão tenebroso? Não obtinha respostas.
Ao seu ritmo acelerado, um a um, descia os degraus. Até que, de repente, viu um senhor. O semblante era triste e podia jurar que estava chorando. Os passos eram lentos mas decididos. Aparentava lá seus 50 anos apesar da cabeça, quase toda, coberta por fios brancos. De certa forma, se viu naquele homem. Tentou imaginar sua história e o que viveu até aquele momento. Teria filhos, talvez netos? Seria casado ou divorciado? O que o levou àquela situação de suposta nostalgia? Tentava adivinhar.
Dedicou seu tempo a observá-lo. Seu andar era austero e ao mesmo tempo confuso. Parecia um pouco perdido. Segurou a vontade de perguntá-lo se queria ajuda em algo. Seus olhos eram calmos e vagos. Não se fixavam em um ponto específico. Sua postura aparentava cansaço. Imaginou ser algo normal, mas, continuou na tarefa de tentar decifrá-lo. Estava tão focado nesse objetivo que acabou por esquecer aquele que o levara até ali.
Os faróis fortes indicavam que o trem estava por chegar. A luz cegante o confundiu e o distraiu. Ouviu um barulho alto e alguns gritos agudos vindo da direção em que o senhor estava. Imediatamente redirecionou seus olhos na direção em que estavam anteriormente. O homem não estava mais lá e, em seu lugar, havia se juntado um pequeno aglomerado de pessoas. E, todas aparentavam uma cara de sofrimento.
Passou alguns minutos a entender a situação. E mais alguns outros a observar o ocorrido. Os olhar do menino mudara. Certo, por fim, que já era o bastante. Deu meia volta e subiu as escadas. Direcionou-se a saída do local. Mais um lance de escada e estaria na superfície. E, a cada degrau que subia, menos restava para alcançar o novo mundo que o esperava de braços abertos.
As lagrimas escorriam transpareciam o coração estraçalhado. Uma imensidão de pensamentos rodeava sua mente enquanto, da sua boca, não saia uma palavra. Sentia vontade de gritar, esbravejar, culpar a todos. Mas, do que adiantaria? Era sentimental por nascença e temia ter que carregar isso até o resto da vida.
Nunca fora introspectivo. A vida lhe tornara assim. Aprendeu a guardar consigo absolutamente tudo o que lhe assombrava. Em algum momento da sua vida decidiu que os outros não o entediam. Que não lhe restava ninguém além de si mesmo que pudesse confiar. Pensamento que o levou a completa solidão. A pior de todas. A que, mesmo rodeado de pessoas, sentia-se só.
-1,90, senhor. – Era o preço da passagem ao seu pequeno paraíso idealizado.
Uma pequena escadaria o distanciava daquilo que nunca estivera tão decidido em realizar. Acostumara-se com a imparcialidade. Nunca dera sua opinião incisivamente. Por algum motivo, tinha medo. Medo do que? O que era tão tenebroso? Não obtinha respostas.
Ao seu ritmo acelerado, um a um, descia os degraus. Até que, de repente, viu um senhor. O semblante era triste e podia jurar que estava chorando. Os passos eram lentos mas decididos. Aparentava lá seus 50 anos apesar da cabeça, quase toda, coberta por fios brancos. De certa forma, se viu naquele homem. Tentou imaginar sua história e o que viveu até aquele momento. Teria filhos, talvez netos? Seria casado ou divorciado? O que o levou àquela situação de suposta nostalgia? Tentava adivinhar.
Dedicou seu tempo a observá-lo. Seu andar era austero e ao mesmo tempo confuso. Parecia um pouco perdido. Segurou a vontade de perguntá-lo se queria ajuda em algo. Seus olhos eram calmos e vagos. Não se fixavam em um ponto específico. Sua postura aparentava cansaço. Imaginou ser algo normal, mas, continuou na tarefa de tentar decifrá-lo. Estava tão focado nesse objetivo que acabou por esquecer aquele que o levara até ali.
Os faróis fortes indicavam que o trem estava por chegar. A luz cegante o confundiu e o distraiu. Ouviu um barulho alto e alguns gritos agudos vindo da direção em que o senhor estava. Imediatamente redirecionou seus olhos na direção em que estavam anteriormente. O homem não estava mais lá e, em seu lugar, havia se juntado um pequeno aglomerado de pessoas. E, todas aparentavam uma cara de sofrimento.
Passou alguns minutos a entender a situação. E mais alguns outros a observar o ocorrido. Os olhar do menino mudara. Certo, por fim, que já era o bastante. Deu meia volta e subiu as escadas. Direcionou-se a saída do local. Mais um lance de escada e estaria na superfície. E, a cada degrau que subia, menos restava para alcançar o novo mundo que o esperava de braços abertos.
Quinta carta
Meu amor,
São nessas dias chuvosos. Nessas noites frias e solitárias que você realmente sente falta das pessoas. Ou daquela pessoa. Que, no meu caso, é você. Não que eu não sinta sua falta nos outros dias, nos cheios, animados. Aqueles com muitas pessoas, muitos risos. Mas é que quando você está só, quando para um pouco para pensar e realmente prestar atenção no mundo que você sente o quanto aquele alguém significa para você.
Sei que faz pouco tempo que lhe escrevi. E não, eu não desisti da minha obrigação de viver. Que, de certa forma, já se tornou mesmo uma obrigação. É só que sinto sua falta. Eu sei que não deveria lhe escrever. Ou deveria, também já não sei. Aliás, não sei de muita coisa. Nunca me dei bem com essas coisas. A verdade é que eu sou uma pessoa confusa. Nunca soube direito o que pensar e como agir em determinadas situações. E sempre acabo fazendo tudo errado. É triste, mas é o que acontece.
Há poucos estava na rua. Gostávamos de andar sós, em silêncio e sem rumo. Sempre pareceu coisa de louco. As pessoas nunca nos entendiam. Mas é que gosto sentir a liberdade. Sentir o ambiente, as pessoas. Prestar atenção no que normalmente os outros não prestam. E, por mais surpreendente que possa ser, há muita beleza nisso. Só que tudo já é tão banalizado. Quem vai parar para notar quão mais bela está a praia? Ou como o sol se põe de maneira diferente todas as tardes. Ou até mesmo quão incrível e assustadora é a imensidão dos edifícios. Apenas eu. E você, que me ensinou a ver que as pequenas alegrias são melhores. E os detalhes fazem a diferença.
Ainda não me curei dessa falta que sinto de você.
Talvez um dia enlouqueça por causa disso.
27/01/2012
Quarta Carta
Meu amor,
Passei muito tempo sem lhe escrever. É que, para variar, estava vivendo! Ainda não entendi ao certo o que isso significa. Mas, quando perguntei o que era isso que sentia, foi o que me disseram. Não, não achei outro amor o qual me fez apaixonar-me perdidamente como você fez. Também ganhei alguma promoção no emprego. Apenas fiz o que me pediram, tentei me desligar do mundo (e funcionou!) e deixar as coisas acontecerem de forma natural. Acho que vou experimentar fazer isso mais vezes.
Nesse tempo em que estava, misteriosamente, vivendo também senti sua falta. Vez ou outra sentia vontade de lhe escrever mas me controlei. Não me parecia que escrever a alguém que nunca irá ao menos ler seja “deixar as coisas fluírem naturalmente”. Ainda estou me empenhando nessa tarefa de me desligar do mundo, mas, não consegui me controlar dessa vez. Não sei se é possível me desligar de você.
Também queria lhe contar que fui ao zoológico. Quase consigo ver sua cara de desaprovação caso ouvisse essa noticia. Assim como você, também não sou a favor desses lugares. Embora, infelizmente, pagar minha entrada contribua com todo esse sistema injusto com os animais. Fui para fotografar e ver as condições do lugar. Até que o lugar não era tão ruim quanto pensava que seria. Você não tem idéia do quanto senti falta da sua presença e, por incrível que pareça, da sua cara fechada caso me acompanhasse.
Droga, tenho que me desprender desses verbos no presente.
Você ficaria tão feliz ao ver que eu estou conseguindo viver.
22/01/2012
Passei muito tempo sem lhe escrever. É que, para variar, estava vivendo! Ainda não entendi ao certo o que isso significa. Mas, quando perguntei o que era isso que sentia, foi o que me disseram. Não, não achei outro amor o qual me fez apaixonar-me perdidamente como você fez. Também ganhei alguma promoção no emprego. Apenas fiz o que me pediram, tentei me desligar do mundo (e funcionou!) e deixar as coisas acontecerem de forma natural. Acho que vou experimentar fazer isso mais vezes.
Nesse tempo em que estava, misteriosamente, vivendo também senti sua falta. Vez ou outra sentia vontade de lhe escrever mas me controlei. Não me parecia que escrever a alguém que nunca irá ao menos ler seja “deixar as coisas fluírem naturalmente”. Ainda estou me empenhando nessa tarefa de me desligar do mundo, mas, não consegui me controlar dessa vez. Não sei se é possível me desligar de você.
Também queria lhe contar que fui ao zoológico. Quase consigo ver sua cara de desaprovação caso ouvisse essa noticia. Assim como você, também não sou a favor desses lugares. Embora, infelizmente, pagar minha entrada contribua com todo esse sistema injusto com os animais. Fui para fotografar e ver as condições do lugar. Até que o lugar não era tão ruim quanto pensava que seria. Você não tem idéia do quanto senti falta da sua presença e, por incrível que pareça, da sua cara fechada caso me acompanhasse.
Droga, tenho que me desprender desses verbos no presente.
Você ficaria tão feliz ao ver que eu estou conseguindo viver.
22/01/2012
Terceira carta
Meu amor,
Será que algum dia você terá a chance de ler o que escrevo?
Hoje é dia primeiro de janeiro. Isso significa que o ano acabou de começar e as pessoas começarão a desejar coisas novas e a renovar suas vidas, como manda o roteiro. Eu desejaria poder tê-la, aqui, comigo, mas sei que você está mais feliz com ele. Então, não irei perturbá-la com meus pedidos utópicos. Ainda assim, não pude deixar de pensar em você durante a virada. Passei em minha própria companhia, no meu apartamento, do qual, pela janela, dava pra ver um pedacinho da praia de Copacabana. Lembrei que costumávamos caminhar pela areia, ali mesmo, onde milhares de pessoas festejavam e divertiam-se ao som de um DJ estrangeiro. Passei alguns instantes observando a multidão alegre.
Nesta data, todos já começaram a planejar seu ano, que será completamente diferente do anterior. Novas metas, novos objetivos a alcançar, novos amores. Novo pensamento esperançoso que os farão acreditar que tudo o que planejaram irá, de fato, acontecer mas que, no final, não irá. A minha diferença é que já aceitei esse destino.
Costumávamos fazer planos para o futuro. Talvez não aqueles clichês de casamento, filhos e casa própria. Nós queríamos, apenas, ser livres. Podermos amar sem limites e que pudesse ser recíproco. Nunca entendi essa falta de amor nas pessoas. Nunca entendi muita coisa que se passa na cabeça dos outros. Acho que essa é recíproca.
Algumas questões talvez nunca tenham respostas.
Vou vivendo aos poucos tentando desvendá-las, assim como você mesma me ensinou.
01/01/2012
Subscribe to:
Posts (Atom)