Andava pela calçada com os passos apressados. Passo a passo desenhando a trajetória de seu próprio destino. Que, de um jeito ou de outro, só importava a ele mesmo. Apenas o próprio menino se responsabilizaria por tudo o que fizesse ou deixasse de fazer. Como sempre foi.
As lagrimas escorriam transpareciam o coração estraçalhado. Uma imensidão de pensamentos rodeava sua mente enquanto, da sua boca, não saia uma palavra. Sentia vontade de gritar, esbravejar, culpar a todos. Mas, do que adiantaria? Era sentimental por nascença e temia ter que carregar isso até o resto da vida.
Nunca fora introspectivo. A vida lhe tornara assim. Aprendeu a guardar consigo absolutamente tudo o que lhe assombrava. Em algum momento da sua vida decidiu que os outros não o entediam. Que não lhe restava ninguém além de si mesmo que pudesse confiar. Pensamento que o levou a completa solidão. A pior de todas. A que, mesmo rodeado de pessoas, sentia-se só.
-1,90, senhor. – Era o preço da passagem ao seu pequeno paraíso idealizado.
Uma pequena escadaria o distanciava daquilo que nunca estivera tão decidido em realizar. Acostumara-se com a imparcialidade. Nunca dera sua opinião incisivamente. Por algum motivo, tinha medo. Medo do que? O que era tão tenebroso? Não obtinha respostas.
Ao seu ritmo acelerado, um a um, descia os degraus. Até que, de repente, viu um senhor. O semblante era triste e podia jurar que estava chorando. Os passos eram lentos mas decididos. Aparentava lá seus 50 anos apesar da cabeça, quase toda, coberta por fios brancos. De certa forma, se viu naquele homem. Tentou imaginar sua história e o que viveu até aquele momento. Teria filhos, talvez netos? Seria casado ou divorciado? O que o levou àquela situação de suposta nostalgia? Tentava adivinhar.
Dedicou seu tempo a observá-lo. Seu andar era austero e ao mesmo tempo confuso. Parecia um pouco perdido. Segurou a vontade de perguntá-lo se queria ajuda em algo. Seus olhos eram calmos e vagos. Não se fixavam em um ponto específico. Sua postura aparentava cansaço. Imaginou ser algo normal, mas, continuou na tarefa de tentar decifrá-lo. Estava tão focado nesse objetivo que acabou por esquecer aquele que o levara até ali.
Os faróis fortes indicavam que o trem estava por chegar. A luz cegante o confundiu e o distraiu. Ouviu um barulho alto e alguns gritos agudos vindo da direção em que o senhor estava. Imediatamente redirecionou seus olhos na direção em que estavam anteriormente. O homem não estava mais lá e, em seu lugar, havia se juntado um pequeno aglomerado de pessoas. E, todas aparentavam uma cara de sofrimento.
Passou alguns minutos a entender a situação. E mais alguns outros a observar o ocorrido. Os olhar do menino mudara. Certo, por fim, que já era o bastante. Deu meia volta e subiu as escadas. Direcionou-se a saída do local. Mais um lance de escada e estaria na superfície. E, a cada degrau que subia, menos restava para alcançar o novo mundo que o esperava de braços abertos.
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