Thursday, February 9, 2012

Quinta carta


Meu amor,
São nessas dias chuvosos. Nessas noites frias e solitárias que você realmente sente falta das pessoas. Ou daquela pessoa. Que, no meu caso, é você. Não que eu não sinta sua falta nos outros dias, nos cheios, animados. Aqueles com muitas pessoas, muitos risos. Mas é que quando você está só, quando para um pouco para pensar e realmente prestar atenção no mundo que você sente o quanto aquele alguém significa para você.
Sei que faz pouco tempo que lhe escrevi. E não, eu não desisti da minha obrigação de viver. Que, de certa forma, já se tornou mesmo uma obrigação. É só que sinto sua falta. Eu sei que não deveria lhe escrever. Ou deveria, também já não sei. Aliás, não sei de muita coisa. Nunca me dei bem com essas coisas. A verdade é que eu sou uma pessoa confusa. Nunca soube direito o que pensar e como agir em determinadas situações. E sempre acabo fazendo tudo errado. É triste, mas é o que acontece.
Há poucos estava na rua. Gostávamos de andar sós, em silêncio e sem rumo. Sempre pareceu coisa de louco. As pessoas nunca nos entendiam. Mas é que gosto sentir a liberdade. Sentir o ambiente, as pessoas. Prestar atenção no que normalmente os outros não prestam. E, por mais surpreendente que possa ser, há muita beleza nisso. Só que tudo já é tão banalizado. Quem vai parar para notar quão mais bela está a praia? Ou como o sol se põe de maneira diferente todas as tardes. Ou até mesmo quão incrível e assustadora é a imensidão dos edifícios. Apenas eu. E você, que me ensinou a ver que as pequenas alegrias são melhores. E os detalhes fazem a diferença.
Ainda não me curei dessa falta que sinto de você.
Talvez um dia enlouqueça por causa disso.

27/01/2012

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