Acordava todas as manhãs com os raios de sol em seu rosto. Fazia de proposito: antes de dormir deixava a cortina aberta para que, pelo amanhecer, fosse acordado de uma forma que talvez o fizesse querer levantar. Falhava da mesma forma a cada dia. A claridade o irritava e tudo que queria era permanecer eternamente na cama. Rolava por mais alguns minutos ou horas, semi-dormindo. Tentando adormecer para que, assim, o dia pudesse passar mais rápido. Abria os olhos em intervalos de minutos para olhar a hora. Saber se o dia havia se passado. Não. De hora em hora sua mãe entrava no quarto dizendo que estava em tempo de acordar e que perderia a melhor parte do dia. Ainda assim, não o motivava. Farto, por fim, de ficar na cama e ser incomodado a todo momento, decidia levantar. Olhava, apático, o celular com algumas chamadas não atendidas do seu namorado. Retornava, ainda sonolento: -"Oi, amor" -"Você estava dormindo até agora?!?" -"Sim" -"Porra, Lucas, você dorme demais! Todo dia isso.". Dava alguns esclarecimentos e se arrumava para encontrar com ele, que já esperava o menino, pronto. Apressando-se, passava uma água no rosto, mudava a roupa e tentava colocar alguma coisa dentro do estômago. Mesmo desanimado, forçava-se a sair de casa e encontra-lo sabendo que isso o faria bem. O faria esquecer coisas as quais não queria pensar.
Enquanto estava com o namorado conseguia manter, um pouco, a cabeça no lugar, relaxar e até esboçar uns sorrisos meia boca. -"Você está bem, amor?" -"Estou, só um pouco cansado e desanimado." -"Eu te amo, tá? Vou te fazer feliz.". E a cada frase nesse sentido, sentia-se pior. Vou te fazer feliz". Queria acreditar nessas palavras. Queria que fosse verdade com tanta força que chegava a doer. Desejar tanto uma coisa, supostamente, tão simples. Ser feliz? A tristeza lhe era como uma farpa encrustada na sua pele a qual mesmo que incomodasse, não conseguia se livrar.
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