Friday, December 30, 2011

Segunda Carta

Meu amor,
Onde está você?
Às vezes me sinto tão só. Não é algo físico: é uma solidão de quem ama e não é amado. Então, mergulho em meu próprio mundo, imaginário, em que você está aqui e segura minha mão dizendo que vai ficar tudo bem. Sinto-me frágil e sem direção. Sinto-me assim sem você, mas trato logo de repelir esse misto de sentimentos. Como diria Clarice, ‘eu sou mais forte que eu’. Não posso entregar-me a tristeza.
Hoje me lembrei de você. Estava saindo da faculdade e fui acender um cigarro. Por hábito, peguei dois. Sempre descíamos no intervalo de cada aula e você sempre me pedia cigarros. É engraçado, você foi a única pessoa para qual nunca me importei em cedê-los. Também nunca conseguia ficar com raiva de você. Acho que me pegara esse negócio que chamam de paixão.
Minha mente prega-me peças. Posso senti-la, mas, não posso tocá-la. Posso jurar que consigo sentir seu cheiro, mas, não consigo vê-la. Talvez a loucura esteja se fazendo presente e tenha tomado conta de mim. Já quase não consigo mais diferenciar o que é real do que é somente imaginação.
Sinto que tudo vai ficar bem e espero acertar nessa. Nunca fui grande coisa em adivinhações, mas, minhas esperanças ainda são enormes e ainda tenho muito pela frente. O mundo nunca parou por ninguém, minha vida também não pode parar.
Despeço-me de forma breve. Nunca me dei bem com longas despedidas.

30/12/2011

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