Saturday, December 24, 2011

Primeira carta

Querida,
Quem é você que não esqueço?
Quem é você pra quem escrevo?
Há algum tempo sinto um vazio que não passa. Sabe como é? Aquela tristeza mansa, uma melancolia que vem de dentro e que, quando se vê, já tomou conta de você. Não é algo que se possa controlar ou lutar contra. Não é palpável, nem se sabe quando ou onde começou. Quando se vê já está assim: murcho.
Querida, se você pudesse me ler. Se pudesse me ver nesse momento. Éramos tão jovens e livres. Adolescentes inconseqüentes, invencíveis! Tomamos caminhos errados algumas vezes mas sabíamos que, mesmo que perdidos, estaríamos juntos. Eu errei. Trilhamos trilhas diferentes, e pior, elas nunca mais se cruzarão. Dói-me tanto pensar nisso. Falando nessa dor, ela tem me acompanhado nesses últimos meses. Ela tomou, de certa forma, seu lugar. Foi o que você me deixou além das boas lembranças. Como diria Caetano: “Você não me ensinou a te esquecer, você só me ensinou a te querer.”
Imagino como você está agora e como é o lugar em que está. Imagino todos felizes e alegres. Você deve ter encontrado quem a ama de verdade. Digo, não que não a amasse. Amei-a (e amo!) tão intensamente que seria impossível que alguém a amasse tanto. Quero dizer que deve ter achado quem o amasse de maneira mais medida, mais natural. Não como eu que nunca soube amar.
Quando amo, amo verdadeiramente e intensamente. Amo com o corpo inteiro, de forma desmedida. E que, assim como a tristeza, é algo quase imperceptível de inicio. Vem devagar e, aos poucos, lhe toma. Não dá pra controlar. Não sei de onde vem mas sei que, no fim, transforma-se em dor...
Por hora, é isso que lhe escrevo. Como se fosse ler. E digo o que sinto como se sentisse o mesmo.

24/12/11

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