Tenho saudades do que já foi e do que já fui. Tenho saudades de passar madrugadas inteiras em claro bebendo capuccino na varanda, pensando nostalgicamente no que passou e em como a vida é breve. E da minha época de escola, em que as coisas eram fáceis demais embora parecessem muito difíceis e maiores do que realmente eram. Sinto falta dos meus quase amores que quase davam certo. Das paixões avassaladoras e curtas que sempre me faziam perder o chão por uma semana. E, surpreendentemente, dos sermões que minha mãe me dava, dizendo que eu nunca cumpro o que eu digo. Tenho saudades das certezas que tinha sobre o futuro, mesmo descobrindo agora que tudo aquilo jamais vai se concretizar. Do meu ar sonhador, dos textos quase semanais e de me sentir infinito apenas por uma noite por várias noites. Agora, nada disso existe mais.
Tudo isso deixa de existir quando você se entrega a um destino inegável. Quando o que você queria se torna o que você precisa e isso te suga de uma forma que, mesmo que você realmente quisesse aquilo, aquilo se torna um fardo que você tem que carregar. Nunca fui bom em ter obrigações, mas infelizmente de algumas não se pode fugir. E são justamente essas que pesam mais. Você é obrigado a não ser mais você, é obrigado a cumprir um papel que você não quer. Logo eu, que nunca fui bom em teatro. Logo eu, que nunca abri mão de mim mesmo. Logo nós, que temos tudo pela frente e vivemos pelo agora, temos que guardar nosso agora no bolso e viver pelo que não entendemos ainda e talvez nem entendamos.
Então, em uma madrugada qualquer fujo daquilo que não sou. Deixo de lado todo o peso que carrego nas costas e voltarei a carregar quando as luzes se apagarem e eu deitar minha cabeça no travesseiro. Às vezes é bom voltar com alguns velhos hábitos e esquecer de tudo por alguns minutos. Talvez seja o melhor modo de não se perder para sempre de você mesmo.
Talvez eu só precise de férias.
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